sábado, 13 de novembro de 2010

Decidir dói...


É clichê o que falarei, mas é  pura verdade: as decisões que tomamos são responsáveis pelos rumos que nossas vidas tomam. Perceba que quem vê a vida com a sobriedade necessária, terá sempre o desejo de tomar decisões certas a fim de que sua vida vá mudando sempre para melhor. Olhando bem a gente começar a enxergar que  há certas decisões que dá para reverter, enquanto outras não. E são estas, cujos resultados são irreversíveis que muitas vezes nos deixam inquietos e ansiosos. Quem é a pessoa quer errar em relação a um curo de graduação ou a um casamento, por exemplo? Quem quer errar em relação à troca de um emprego ou à mudança radical de visual? Existem decisões bobas, mas outras muito sérias e que mudam nossas vidas significativamente. Quando chega o momento dessas decisões, geralmente ficamos desesperados para saber o que virá se fizermos isso ou aquilo. Mas, não conhecemos o futuro, só o aqui e agora. Não vou discutir crenças ou religiões. Tenho minha fé e nela me apoio para acreditar que existe alguém que conhece o amanhã e que sabe o que é melhor para mim. Acredito que Ele está interessando que eu acerte as minhas escolhas. Aceitei a ideia de Ele não escolherá por mim, mas apontará o melhor caminho. As vezes me sinto frustrado por não realizar algo ou não alcançar um objetivo. Este é nosso pecado! Preciso, a cada novo dia, entender  que Ele sabe muito bem o que está por trás de cada porta que coloca em minha frente e  Ele não dirá o que está lá. Sim, Ele orienta e guia meus passos.

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Uma vida a dois...


Um dos maiores desafios de um relacionamento é pensamos na vida a dois. Para fazer o relacionamento dar certo temos que fazer por onde isso acontecer.  O segredo não é  encontrar  “a pessoa ideal”, até porque a pessoa ideal é alguém que apenas atende às características de caráter ou personalidade com as quais a gente se identifica. Os relacionamentos parecem como contratos de trabalho guiados pela CLT, eles também vivem de período de experiência em seus três meses iniciais. A gente percebe que no início tudo é novo, belo, divertido, empolgante, alegre, sedutor , cativante e prazeroso. Mas com o passar dos dias, semanas e meses este encanto não é mais o mesmo, a dedicação  começa a desaparecer, o zelo já é desnecessário. Então entra nosso maior pecado, permitir que as relações caíam na rotina. Pecamos por acreditar que a estabilidade dos relacionamentos parece não pedir mais atenção especial, esquecemos que se faz necessário dar as “pitadas de tempero”, que precisamos ficar atentos à necessidade de inovar e renovar os relacionamentos. O amor não pode engessar ou simplesmente parar no tempo, ele deve ser infindável e inesgotável.
O segredo de viver a dois é uma chave que cabe a cada um de nós desvendarmos. Para começar devemos aprender e aceitar que os relacionamentos são únicos e exclusivos. É permitir que cada novo relacionamento seja história a ser escrita sem roteiros predeterminados, apenas viver cada dia com a mesma intensidade que o dia do primeiro encontro ou primeiro beijo. Aos poucos perceberemos que a arte de viver a dois é, acima de tudo, respeitar, ceder, abdicar, suportar, reconhecer, valorizar, doar, corrigir, ser disponível e acessível, é amar com toda intensidade  e  sem limites. Aprenderemos que no amor a gente pode errar e o outro errará conosco, mas ainda assim devemos amar, amar, amar, cada vez mais e mais...

domingo, 7 de novembro de 2010

Os felizes amores imperfeitos ...

Como as pessoas estão impacientes para o amor, já percebeu? Na época dos nossos avós as pessoas suportavam coisas demais em nome do amor, acredito que até mais do que deveriam e mais do que seria saudável. Mas hoje nada suportam mais! O amor anda em cascas de ovos e vive em tensão constante. Perceba que basta uma palavra aparentemente inadequada ou mal colocada, um erro bobo, um gesto mal cuidado, uma roupa incerta, uma blusa justa ao corpo, uma ligação ou mensagem recebida, e a outra pessoa já é descartada. As pessoas hoje não aceitam nada menos do que a perfeição. Mas o que é esta perfeição?
O problema penso eu, é que a maioria das pessoas desistem de alguém quando estas percebem que esse alguém é de carne e osso e que, além de alegria, sente também tristeza, ou descobrem que a outra pessoa, como qualquer ser humano, tem seus problemas, fraquezas, medos, dificuldades, se afastando do “ideal de perfeição” tão cuidadosamente sonhado. As pessoas hoje em dia são jogadas como um copo descartável depois do uso.
Muitos querem que o amor seja rápido e criteriosamente perfeito. Sinto falta daquele tempo da conquista sadia, para o caminho de conhecimento mútuo que acontece aos poucos, na paquera e jogo de conquista, formavam uma construção de parceria e cumplicidade. As pessoas hoje querem o amor como produtos acabados e sem defeitos. Esqueceram que devemos dar espaço para que o amor possa acontecer. Para muitos, o amor simplesmente serve ou não serve e ponto final.
Algumas pessoas são assim: elas acham alguém e após algumas horas de meras impressões superficiais, acreditam que o outro não serve, logo jogam fora, como fazemos com as laranjas estragadas de nossa fruteira.
São por estas e outras que vejo tantos amigos insatisfeitos no amor. São tantas pessoas interessantes tentando encontrar alguém com quem possam compartilhar o que tem de melhor. E chega a ser contraditório, mas, como uma ironia do destino, mesmo quando duas pessoas interessantes se encontram, acabam não tendo tempo de perceber isso. Acabamos estragando coisas antes mesmo que tenham tempo de acontecer. É um dos males desta modernidade esmagadora, que nos devora com a pressa, a ansiedade, a falta de paciência. Mas então por que fazemos isso? Busquei respostas e não encontro algo concreto. Talvez seja medo, não apenas do outro, mas medo de nós mesmos, de não sermos capazes de atingir a perfeição que o outro espera. Penso que é nosso medo de, ao entrarmos em um relacionamento, enxerguemos no outro as nossas próprias imperfeições. Então por isso temos medo dos relacionamentos, para não quebrarmos a doce ilusão de que somos perfeitos.
No dia que cada um de nós aceitarmos exatamente como somos, entendendo que somos formados por qualidades e defeitos, aí sim seremos capazes de abrir nosso coração para uma pessoa de verdade. Só não podemos ficar em casa trancados, fechados para o amor e descartando as pessoas interessantes que tanto queremos encontrar.



sábado, 6 de novembro de 2010

Esbarros e acasos

Já percebeu que as melhores e mais bonitas coisas da vida, que os mais belos momentos vividos e as experiências mais marcantes são aquelas que nascem naturalmente? Sim, aquelas que acontecem sem a mínima programação, pois elas simplesmente ocorrem, sejam por instinto ou por um desejo mutuo. E é justamente por estas características que algo que parecia tão simplório se torna em algo tão perfeito. Muitas relações de amizade, carinho e respeito nascem de encontros e desencontros, de esbarros, por acasos, por intuições, do nada.
Existem coisas então, que não devem ser explicadas, pois se forem, perdem todo o brilho e encanto que envolve os sentimentos e pensamentos de quando estamos a viver uma situação, que nos faz sentir tão bem. Geralmente ficamos a racionalizar cada um dos passos que damos, cada uma das ações e atitudes, pesamos os prós e os contras, tentamos ver a imagem de todos os ângulos possíveis e,no meio disto tudo, esquecemo-nos, simplesmente, de viver cada novo momento.Ele simplesmente aconteceu!!!
Estas relações, que por vezes são coisas bem simples, como uma conversa diária que temos com alguém na rua ou uma tela de MSN, uma troca de mensagens, uma ligação inesperada, um esbarro pelas ruas repleto de surpresa, um email, um simples toque dizendo “lembrei de você”. São coisas tão simples, banais, corriqueiras e, no entanto, fazer qualquer uma destas ações, (ou outras tantas), dá-nos prazer, satisfaz algo que falta no nosso dia-a-dia e chegamos mesmo a sentir a falta delas, quando por algum motivo, não as conseguimos concretizar.
Se no nosso dia-a-dia, existe algo que nos satisfaz, exatamente porque é apenas aquilo que é e nada mais, não tentando transformá-lo, pois o mais provável é simplesmente perder aquilo que já têm.
Esta interação de carinho gratuito, confiança e admiração constroem algumas belas histórias de amizade que já vivi e vivo. São trocas cheias de verdade, de risos e afeto e que preenchem minhas lembranças.


quinta-feira, 4 de novembro de 2010

O amor não é projeto de vida

O amor não pode ser apenas encarado como um projeto de vida. Vejo que o amo está superestimado como importância porque nós seres humanos o superestimamos o que está faltando em nossas vidas. Sabe qual o nosso grande problema? É porque, em nossas cabeças, temos que se realizar em coisas com nossos gostos, planejando fazer coisas interessantes, se entusiasmando com novidades e assim acabamos esperando do amor mais do que ele pode render.
Em outros textos já dividi o que penso, que o amor é mais que tudo o que pensamos e enxergamos. Acredito que o verdadeiro amor deve existir por relacionamentos entre pares inteiros e não apenas por duas metades. Você pode até pensar que esse tipo de relacionamento é mais parecido com a amizade, mas quero pensar assim mesmo. Até  porque são alianças de aconchego, de natureza intelectual, de parceria. Já no tão sonhado “amor romântico” não existe um pleno amadurecimento, tanto é que as pessoas se tratam como criancinhas, já percebeu? Aliás, você também faz ou já fez! Os casais falam no diminutivo, como meu benzinho, bebezinho, fofinho...  O amor românico deveria ser coisa graúda. As pessoas, acredito, poderiam entender que precisam se relacionar como “gente grande".
O mundo gira, muda, cresce e acredito até o amor se transforma. A verdade é que antes as relações eram possessivas, exigentes... As pessoas eram duas metades que se juntavam para formar uma família, mas isso faz parte do sonho do amor romântico, que hoje em dia não tem futuro, isso caducou por uma série de questões como o avanço tecnológico, a independência econômica e sexual das mulheres, enfim, o mundo mudou e o amor tem de se readequar a essa nova realidade. Hoje existe a necessidade de se reinventar um novo tipo de relação, que resulte na aproximação de dois inteiros. A verdade é que o mundo mudou e os elos têm de mudar.
Hoje um dos pontos que conta é o modo de pensar de cada um. Mas independente disso, do modo como as pessoas vão se relacionar com a tecnologia, o importante é que elas busquem o individualismo, lembrando que individualismo não é sinônimo de egoísmo. O egoísta é um parasita, esse é louco por turma pois é lá que ele vai tentar arrumar alguém para parasitar. O individualismo eu acho que é uma boa notícia, que é quando a pessoa consegue ser mais independente.
Espero que as pessoas se preparem para relações que poderão ser mais estáveis, pois já perceberam que será difícil manter no futuro as relações baseadas no modelo tradicional. É claro que na realidade continua existindo esse sonho romântico, e ele dificilmente vai desaparecer, porque a vontade de viver em dupla vai continuar existindo, apesar de que nos próximos anos também vai crescer o número de pessoas que gostam de viver só, ou seja, casar vai deixar de ser socialmente obrigatório. Mas esse sonho de par perfeito, infelizmente vem carregado de um romantismo antiquado. As pessoas não atualizaram o sonho, então o que elas podem fazer agora é ter um sonho um pouco mais compatível com a realidade.
Eu vejo, espero e alimento a idéia que o amor se faz de afinidades e não oposição, ou seja, que os pares ideais são aqueles que possuem coisas em comum: afinidade de caráter, de gosto, de interesses. Nesse caso, as diferenças não devem ser muito exageradas pois é complicado lidar com o oposto. E tem o fato de que é muito mais fácil conviver com uma pessoa que tenha a maneira de pensar parecida com a nossa, é muito mais fácil confiarmos em alguém assim. Difícil não sei, mas encontrar pessoas parecidas é a mesma coisa de achar diferentes, acredito que seja na mesma proporção. O difícil é achar gente com maturidade emocional e preparada para esse tipo de vínculo.
Mas vamos que vamos...o mundo é grande demais!

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Limonadas...


Cada dia é uma lição nova que aprendemos neste vida doce e amarga. Não foi de hoje que aprendi que, com dois limões, dá para fazer uma deliciosa de uma limonada, daquelas bem azeda mesmo, que chega a descer rasgando e faz a gente fechar os olhos em meio a uma careta braba. Quem disse que o difícil não é prazeroso?
É difícil mas a gente aprende que se deve aceitar muitas das coisas que não aprovamos, se não podemos modificá-las. Então o segredo é não buscar respostas, não martelar no "pensar" que, por muitas vezes, causa angústia e ansiedade.
Por várias fui, num crime culposo, responsável pelos meus próprios atropelamentos. Por não aceitar, ou demorar a entender, que as coisas chegarão no seu tempo correto, passei por cima de mim mesmo, tomando decisões e atitudes que não devia. Queria um limão doce, não aceitei os azedos, logo perdi muitas limonadas.
O melhor aprendizado é aquele que chegamos, sozinhos, à conclusão exata. Olhando cada erro, que palavra incerta, cada atitude desnecessária, cada "fora" que foi dado. Não digo que voltaria atrás e faria diferente, pois com isso apagaria as lições que tirei e o quanto cresci. Muito menos vou perder noite de sono acreditando que minha vida poderia ser outra hoje se tivesse respeito "o tempo certo das coisas". As páginas foram viradas. Os limões jogados fora. Passei a cultivar melhor a plantação, a respeitar o cultivo, seja doce ou ácido em excesso, apenas respeitar pois para tudo há um propósito.
Quando entendemos isso aprendemos que não adianta antecipar os fatos ou adiar o inadiável. Aprendi que devo olhar para frente, erguer a cabeça porque as chaves que abrem a porta da esperança, sou eu que faço (e as limonadas também).


terça-feira, 2 de novembro de 2010

Eu ressinto, tu ressentes, ele ressente...


Você já percebeu que, por tantas vezes, nos incomodamos por aquilo que passou, não é verdade? Parece que ficamos com várias caixas de arquivo morto, cheio de coisas sucateadas e sem valor, mas que ocupam espaço em nossas memórias e nossas emoções. Frente a todos estes sentimentos e tantos outros que temos, o ressentimento, muitas vezes, não é sinônimo de raiva, arrependimento ou vingança, mas a impossibilidade de esquecer ou superar um acontecimento que nos marcou.
Não dá para negar que o relacionamento de qualquer tipo nos afeta, pois temos consequências conscientes e inconscientes. Vivemos de sentimentos de contrariedade como o amor, ódio, agressividade, raiva, alegria, tristeza, ambição, generosidade, vaidade, rancor, inveja, compaixão e tantos outros, positivos ou não. E neste instante entendemos que ressentir-se é como dar a responsabilidade ao outro por coisas que nós mesmos guardamos em nosso interior. É atribuir a outras pessoas ou situações coisas que deveriam ser resolvidas por nós.
Quando estamos ressentidos com alguém significa que buscamos atribuir a um outro a responsabilidade pelo que nos faz sofrer. Nosso grande erro é nos configurarmos num modelo de vítima, valorizando assim aquele pelo qual temos ressentimento e como não temos o esquecimento vivemos nos colocando nesta posição de vítima. Esta relação é circular, ou seja, é cultivada com grande expressão das nossas emoções, alimentando mágoas, rancores e, consecutivamente, ressentimento, tornando-nos cada vez mais adoecidos. Logo entra outra grande fraqueza nossa, quando no papel de pessoa ressentida conseguimos uma forma de mostrar que estamos com razão na situação, desculpando-nos de forma tão verdadeira, atraindo, assim, o apoio dos terceiros, que "compram" nossa causa.
Não fujo e nem me eximo deste papel pessoa ressentida e por conseguinte ofendida, agredida e machucada, que não diz abertamente o que sente, mas prolonga e "rumina" essas dores de forma repetitiva, causando um mal e incomodo que me tira noites de sono. Já perceberam o quanto isso nos prejudica? Quando chegamos à resposta certa é que dimensionamos os malefícios. É difícil, mas o segredo é não aprisionar-se à mágoa de uma relação terminada, de uma amizade traída, de um "não", de um abandono, de uma data que alguém especial esqueceu, por um "furo" num encontro tão esperado, por uma ligação tão aguardada e que nunca existiu e por tantos "golpes" que recebemos na vida. É olhar a vida com novas perspectivas. Para facilitar deixo com você uma dinâmica interesse: lembrem de um lugar que você foi visitar quando criança, lembrou? Pois bem, retrate suas impressões e emoções. Agora volte ao mesmo local e observe cada detalhe. Você perceberá que o olhar será diferente, que você observará coisas que não havia percebido naquela época e agora você teve pois uma nova oportunidade foi dada. Complicado? É simples, basta revisitar os seus ressentimentos, olhando suas vivências difíceis e amargas de uma forma nova, procurando superar emoções negativas que perseguem você e te tornam prisioneiros de si mesmo.